Plano de saúde negou medicamento? Entenda quando a negativa é abusiva e como garantir seu tratamento

Receber a notícia de que o plano de saúde negou um medicamento essencial é uma situação angustiante principalmente quando o tratamento é urgente. O que muitas pessoas não sabem é que nem toda negativa é legal, e existem direitos claros que protegem o paciente.

Neste artigo, você vai entender de forma simples quando a recusa do plano de saúde é abusiva, quais são seus direitos e o que fazer para garantir o tratamento indicado pelo médico.

O plano de saúde pode negar medicamento prescrito pelo médico?

Em regra, não.

Se o medicamento foi prescrito pelo médico assistente e possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a operadora não pode substituir o critério médico por uma decisão administrativa.

Mesmo que o tratamento não esteja listado no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a negativa pode ser considerada abusiva especialmente quando existe comprovação científica de eficácia.

O que mudou com a Lei 14.454/2022 (Rol da ANS deixou de ser limitado)

Até poucos anos atrás, muitos planos alegavam que só eram obrigados a cobrir procedimentos que estivessem na lista da ANS.

Isso mudou.

A legislação passou a estabelecer que o rol da ANS é apenas uma referência mínima, e o tratamento também deve ser coberto quando:

  • houver comprovação científica de eficácia;
  • existir indicação médica fundamentada;
  • o medicamento tiver registro na ANVISA;
  • houver recomendações de órgãos técnicos nacionais ou internacionais.

Ou seja, a medicina não pode ficar limitada a uma lista administrativa desatualizada.

Situações em que a negativa do plano de saúde costuma ser abusiva

Na prática, a Justiça tem reconhecido abusividade principalmente quando ocorre:

  • Negativa de medicamentos de alto custo
  • Recusa de tratamento para doenças graves
  • Alegação de que o medicamento está “fora do rol”
  • Exigência de tratamentos mais baratos, porém menos eficazes
  • Interferência do plano na decisão médica

O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é claro: o plano não pode interferir na conduta médica quando o tratamento é necessário.

A ciência médica tem mais peso que regras administrativas

Hoje, decisões judiciais analisam principalmente:

  • evidências científicas publicadas (como estudos clínicos internacionais, inclusive em periódicos como o New England Journal of Medicine);
  • relatório médico detalhado;
  • risco à saúde do paciente;
  • urgência do tratamento.

Quando existe risco de agravamento da doença, sequelas permanentes ou morte, a Justiça costuma conceder liminar rapidamente.

Quanto tempo demora para conseguir o medicamento na Justiça?

Em casos urgentes, é possível obter uma decisão liminar em poucos dias, obrigando o plano a fornecer o tratamento imediatamente.

Isso ocorre porque a lei protege o chamado perigo de dano irreversível, comum em tratamentos oncológicos, imunológicos, neurológicos e doenças autoimunes.

O plano de saúde também pode ser condenado a pagar danos morais?

Sim.

Quando a negativa coloca o paciente em situação de risco ou sofrimento intenso, os tribunais entendem que existe dano moral presumido.

Isso acontece porque a recusa indevida:

  • aumenta a angústia do paciente;
  • atrasa tratamento essencial;
  • pode agravar a doença.

O que fazer quando o plano de saúde negar um medicamento?

Se você recebeu uma negativa, siga estes passos:

  1. Solicite a negativa por escrito
  2. Peça ao médico um relatório detalhado
  3. Guarde exames e documentos
  4. Procure um advogado especialista em Direito à Saúde

Com esses documentos, normalmente já é possível ingressar com ação judicial com pedido urgente.

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